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Agentes e corretores de seguros já entregaram ao Governo pedido de regime de exceção

O presidente da APROSE insiste na ideia de que é brutal a pressão exercida pela banca sobre os seus clientes para comprar seguros ao balcão.

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Tal como prometeu na entrevista dada à TSF durante a semana, David Pereira, presidente da APROSE, entregou ao Governo e ao regulador, um pedido de regime de exceção nos contratos com seguros de vida, na abertura do 9º congresso do setor, este sábado, no Centro de Congressos do Estoril.

 

David Pereira, presidente da associação de mediadores de seguros, aproveitou a presença do secretário de estado das Finanças e da presidente da Autoridade e Supervisão dos Seguros e Pensões na sessão de abertura do Congresso da "humanização" para fazer chegar ao governo e regulador, o pedido de aprovação de um regime, ainda que com caráter de exceção e temporário, que permita aos portugueses a liberdade de escolha das entidades com as quais pretendem contratualizar seguros no crédito à habitação, tal como já prevê a lei.

 

O presidente da APROSE insiste na ideia de que é brutal a pressão exercida pela banca sobre o seu cliente para comprar seguros ao balcão, quando há oferta no mercado que permite diminuição de custos na ordem dos 50% e pela reação que obteve do governante espera que o executivo vá analisar o pedido.

 

Numa primeira reação, o secretário de estado das Finanças afirmou que ainda não teve oportunidade de ver o caderno que lhe foi apresentado, mas o governo terá naturalmente oportunidade de o analisar, até porque o documento também foi entregue ao regulador do setor dos seguros, com quem o governo tem mantido conversações sobre outras matérias, esperando para breve ter novidades quanto aos seguros contra catástrofes naturais.

 

João Nuno Mendes considera que a mediação seguradora tem um papel importante no país. Destacado que é uma atividade que tem um número elevado de mediadores recentemente profissionalizados, que eles próprios têm um papel importante na garantia de maior concorrência no setor segurador, com melhores serviços clientes e a preços mais adequados, fazendo deduzir quem o ouviu, que terá isso em consideração na análise ao pedido da Aprose.

 

Confrontada com a entrega do documento, Margarida Corrêa de Aguiar presidente do Conselho de Administração da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, admite que "podemos ter aqui espaço para termos novos equilíbrios, digamos assim, que melhorem, repartam custos-benefício entre bancos, seguradoras e os consumidores-clientes. Isto é um triângulo que temos aqui." Para a representante máxima do regulador do setor, a transparência e informação, podem ter um papel muito mais relevantes a desempenhar para que se possam tomar decisões mais conscientes e as melhores decisões, "que correspondam aos nossos reais interesses.

 

Já Luís Marques Mendes, um dos oradores do Congresso da APROSE, após a sua intervenção, foi confrontado com o pedido feito pelo setor ao governo e considerou que as medidas que o governo tomou esta semana para ajudar as pessoas com mais dificuldades no crédito à habitação, são positivas, mas insuficientes. Algumas medidas que alguns bancos já tomaram, reestruturando alguns créditos, também vão na boa direção, mas considera que ainda são insuficientes. Sublinha que não está na vida política, nem tem que resolver problemas, mas acha que é preciso ir mais longe e deixa duas sugestões. " Primeira, fazer com que haja algum congelamento durante alguns anos, 3, ou 4, ou 5 anos, da prestação que as pessoas pagam, porque é neste momento, que estão em dificuldade e precisam de passar o pagamento do período de carência, para mais tarde, quando as pessoas tiverem menos dificuldade. Segunda medida, os juros que pagam hoje e são cada vez mais elevados, serem diferidos para mais tarde. Não se trata de reduzir, nem dos bancos perderem, mas... neste momento em que as pessoas têm mais dificuldade, em pagar a prestação da casa, um período de carência, ou diferir os juros para mais tarde, eram medidas de elementar bom senso."

 

 

Os bancos têm, de resto, cada vez mais lucros maiores, mas o antigo líder do PSD, ex. ministro, atual conselheiro de estado e comentador de televisão, considera que "o problema não está nos lucros, mas podiam e deviam dar uma ajuda maior para facilitar a vida das pessoas no crédito à habitação.

 

TSF 20/05/2023

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