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05-05-2017

"Os projetos que colocámos em marcha careciam de continuação e só a continuidade fazia sentido"

Entrevista a David Pereira, presidente da APROSE

O novo presidente da APROSE, David Pereira, destaca a importância de continuar um projeto que estava iniciado mas não estava concluído, e, por isso, "assumir este desafio era um ato natural e coerente".

Vida Económica (VE) – Que razões e motivações o levam a assumir o desafio de conduzir a atuação da APROSE neste mandato?

David Pereira (DP) – Para mim e para toda a minha equipa esta situação não é nova, pois já fazíamos parte da Direção no mandato anterior. Logo desde o início da nossa candidatura nos afirmámos como a equipa da continuidade, o nosso projeto estava iniciado mas não estava concluído, pelo que assumir este desafio era um ato natural e coerente. Os projetos que colocámos em marcha no nosso último mandato careciam de continuação e de conclusão e só a continuidade fazia sentido. Estou-me a referir, por exemplo, ao nosso contrato coletivo de trabalho, cuja negociação ficou a meio. Estou a referir-me, também, ao trabalho que está a ser feito junto de toda a mediação a fim de aumentarmos o número dos nossos associados. Estou a referir-me ao estreitamento das relações com as Seguradoras e com os nossos parceiros institucionais, ASF e à APS. Deverei, no entanto, dar realce à futura transposição da DDS – Diretiva da Distribuição de Seguros e só uma Direção transversal como a nossa, composta por mediadores individuais, mediadores coletivos e corretores, poderá a contento de todos os nossos associados pugnar por uma Lei que sirva os interesses de todos. Estas razões parecem-me suficientemente nobres para que, em consciência, não abandonássemos esta nossa missão.


VE – O ato eleitoral de 18 de abril foi disputado por três listas concorrentes, facto inédito na vida da APROSE. Que leitura faz desta circunstância?

DP – De facto é uma situação inédita, e até histórica, uma vez que na vida da APROSE nunca nada de semelhante se tinha registado. Isto só revela a vitalidade dos seus associados e a vitalidade existente na atual APROSE, por um lado, mas, também, o prestígio que é pertencer a uma associação empresarial como a APROSE. No mandato anterior elevámos o patamar de representatividade da nossa associação a níveis que os nossos associados não estavam habituados. Estou a referir-me ao efeito político e aglutinador que foi a fusão entre as duas associações existentes. Este facto por si só foi revelador daquilo que pretendíamos: a união de toda a classe em torno de uma associação forte e única, que falasse a uma só voz e para todos os profissionais da mediação de seguros, sem exceção. Não posso deixar de referir que o congresso da APROSE realizado em Outubro passado foi o culminar de um mandato todo ele feito de inovação e vitalidade. Todas estas razões deixam antever, e compreender, o porquê de três listas se apresentarem a sufrágio. Como disse atrás, pertencer à Direção da APROSE é, neste momento, muito prestigiante.

 

VE – A disputa eleitoral encontra-se sarada neste momento? Como pensa unir o universo associativo?

DP – Quero acreditar que sim, porém, responder por toda uma classe não é fácil. A mediação profissional de seguros é feita de uma diversidade muito grande de sensibilidades, vontades e até interesses pelo que responder por todos se torna muito difícil, no entanto, sei, por experiência própria, que a nossa classe é de uma enorme inteligência e grande capacidade de renovação e por isso sabe que "chover sobre o molhado" não resulta, nem traz nenhuma mais-valia. Tenho a certeza que a classe da mediação profissional de seguros irá ultrapassar este momento histórico e revitalizar-se em torno da atual Direção da APROSE, unindo-se a esta e colaborando ativamente na resolução dos grandes projetos que são do interesse de toda a classe e de outros que iremos implementar no futuro. O que nos separou momentaneamente foi apenas um ato eleitoral, não as ideias nem os projetos de fundo, esses sim irão promover a união de toda a nossa classe revelando que é mais o que nos une do que aquilo que nos separa.

 

VE – Que medidas considera prioritárias na valorização do papel do mediador profissional de seguros perante a sociedade civil e junto dos demais operadores de mercado?

DP – Hoje, como é sabido, pensar em seguros é pensar na mediação profissional de seguros. A sociedade civil no seu todo, particulares e empresas, sabe bem a diferença que existe entre um telefone, uma dependência bancária, uma ligação por computador e um profissional da mediação de seguros. Hoje, já é claro para toda a sociedade civil, que os seus verdadeiros representantes são os mediadores profissionais e não qualquer outra opção. São eles o garante dos seus interesses e da sua representatividade. Poderia até dizer que o mediador profissional é o amigo que está sempre presente. Mas, apesar desta relação de confiança entre o cliente e o mediador, a APROSE quer ainda intensificar esta simbiose, como? Por um lado implementando uma formação permanente dos seus associados, através do nosso departamento de formação, visando tanto a parte técnica dos diversos ramos de seguros, produção e sinistros, como a gestão das suas empresas, nas áreas financeira e de contabilidade, e tudo o mais que contribua para uma maior profissionalização da nossa classe. Por outro lado, lutar pela certificação do associado APROSE como motivo diferenciador no espetro da mediação profissional. O associado APROSE certificado deverá representar para a sociedade civil a única garantia de qualidade da sua representatividade no universo segurador.

 

VE – Como vê o relacionamento atual e o que pode melhorar na relação entre mediadores e seguradores?

DP – As seguradoras e os mediadores profissionais são as duas faces da mesma moeda. Um não poderá existir sem o outro. As seguradoras tradicionais afirmam-se como seguradoras de mediadores e, muitas há, cujos mediadores são os únicos veículos de produção de seguros dessas seguradoras. Outras há, também, que usam outros canais de venda dos seus produtos, como a banca, os "call centers" ou outros, porém a produção dos ramos reais dessas seguradoras estão entregues, maioritariamente, aos mediadores profissionais. Naturalmente que espero que a relação entre mediadores profissionais e seguradoras se estreite ainda mais e, esse estreitamento de relações, poderá advir da futura transposição da DDS – Diretiva da Distribuição de Seguros. Esta Diretiva comunitária poderá ser o veículo de estreitamento da relação entre mediadores profissionais e seguradoras. O foco deverá ser acima de tudo, colocar o mediador profissional, e independente, em destaque, em detrimento dos bancos e dos agentes ligados, estes por não serem garante de nenhuma independência, face às seguradoras às quais estão amarrados, não poderão representar nunca o cliente de forma totalmente independente como se exige na Diretiva, onde o cliente é o centro de toda a atenção. Acredito que, perante a certificação do Associado APROSE e se a transposição da Diretiva destacar o papel do mediador profissional, pelo qual nos iremos bater, algum dia ainda surgirão seguradoras que só aceitarão trabalhar com parceiros mediadores profissionais certificados pela APROSE.

 

VE – Quais os principais desafios por que atravessa neste momento a atividade de mediação de seguros?

DP – O principal desafio é a clarificação do papel do mediador de seguros e essa clarificação espero que advenha da transposição da Diretiva comunitária. Neste momento, como já atrás referi, existe uma amálgama de operadores que vendem os diversos produtos das seguradoras. Agentes ligados, dependências bancárias, vendedores de automóveis, vendedores imobiliários, agências de viagens e, no meio de tudo isto, mediação profissional. É fácil perceber que a mediação profissional é a única que está à altura da nobre atividade da mediação de seguros por ser esta que está obrigada a independência e formação contínuas. Todos os outros operadores que referi não estão obrigados a uma coisa nem a outra. Questiono, como é que o cliente de seguros, que é o alvo de toda a atenção da Diretiva comunitária, poderá ser aconselhado com independência e conhecimento técnico? Só através da mediação profissional de seguros. Pela defesa do consumidor de seguros reafirmo que só a mediação profissional estará à altura de tal desiderato.


VE – Como deve ser visto o digital enquanto canal de distribuição da própria mediação de seguros? Ameaça ou oportunidade?

DP – Sempre uma oportunidade, nunca uma ameaça! A mediação profissional poderá, e deverá, colocar ao seu serviço e, por consequência, ao serviço dos seus clientes o espetro digital e todas as oportunidades que ele encerra. Sabemos, aliás é já do conhecimento público, que a mediação profissional já faz algumas experiências a este nível, e com sucesso. Mas, são experiências descontinuadas, localizadas e sem grande alcance, estamos ainda a dar os primeiros passos no futuro. Muito trabalho há a ser feito e a APROSE poderá vir a ser o catalisador deste futuro. Faz parte do nosso projeto de ação a criação de uma plataforma de gestão dos negócios dos nossos associados e, através dela, criar para os nossos associados um vislumbre do que poderá ser a próxima vertente de um futuro em que só o sonho será o limite.


VE – Se pudesse sintetizar numa só frase, o que gostaria de ver alterado aquando da transposição da Diretiva da Distribuição de Seguros para Portugal?

DP – Colocar a mediação profissional de seguros no único lugar que lhe é devido: ser o exclusivo representante dos clientes de seguros.

VE – Concorda com a categorização legal dos mediadores em dependentes e independentes?

DP – Não! Todos os mediadores de seguros deveriam ser profissionais e independentes, só assim seriam verdadeiramente o último e único garante de todos os consumidores de seguros em Portugal.

Vida Económica 5/05/2017

A notícia completa é divulgada no Jornal de Seguros, publicação editada semanalmente pela APROSE e dirigida exclusivamente aos seus Associados.


 


 

 
 
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